sábado, julho 03, 2004

PF Ouvirá Crivella Sobre Evasão de Divisas

O cerco está apertando sobre o Bispo. Matéria de O Globo de hoje (3 de Julho de 2004). Se alguém ainda pensava em votar nele, aqui está uma boa razão para o contrário.

É claro que ele nega, mas o fato óbvio e ululante fala por si só.


PF ouvirá Crivella sobre evasão de divisas

Bernardo de la Peña, Cesar Tartaglia e Toni Marques

BRASÍLIA E RIO. O candidato do PL a prefeito do Rio, senador Marcelo Crivella (PL-RJ), vai ser ouvido pela Polícia Federal no inquérito que apura a prática de crimes de evasão de divisas, manutenção de contas no exterior sem o conhecimento das autoridades e sonegação fiscal. Ele foi indiciado no inquérito 1.903-8, aberto em São Paulo e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) quando Crivella foi eleito senador. O Ministério Público Federal investiga a operação de compra da TV Rio, atual Record, e a participação da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual Crivella é pastor.

A investigação tem o objetivo de apurar a prática de crimes pelos diretores de duas empresas off shore , a Investholding e a Cableinvest, que funcionavam em paraísos fiscais. A primeira nas ilhas Cayman e a segunda, desativada em 11 de outubro de 1999, nas ilhas Jersey. Segundo parecer do Ministério Público Federal, que faz parte do processo no STF, Crivella dirigia a Investholding e era dono da Cableinvest.

As duas empresas emprestaram recursos para a compra da emissora de televisão a Alba Maria Silva da Costa e, segundo o Ministério Público, “enormes cifras de dinheiro” a José Antonio Alves Xavier. Segundo depoimento de Alba, incluído no inquérito no Supremo, a operação de compra da Record teria envolvido cerca de US$ 12 milhões. Na verdade, teriam sido US$ 20 milhões.

Fonteles pediu quebra de sigilo da Universal

O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, pediu ao ministro Carlos Velloso, relator do inquérito, a quebra do sigilo fiscal da Igreja Universal. Em 4 de maio deste ano, Velloso determinou, entretanto, que a Polícia Federal tome antes o depoimento de Crivella, do bispo Edir Macedo, do ex-deputado Laprovita Vieira e de João Batista Ramos da Silva. Depois dessa providência, o ministro decidirá se quebra o sigilo da Universal.

Além dos depoimentos, Velloso pediu que a Receita Federal informe se Alba Costa, Claudemir Mendonça de Andrade, José Fernando Passos da Costa e Márcio Araújo Lima, que figuram como compradores da TV Rio, foram investigados pelo Fisco. Todos, segundo depoimento de Alba, eram fiéis da Igreja Universal da Abolição, no Rio.

O ministro determinou ainda que a Receita Federal envie cópia do procedimento fiscal no qual, segundo o depoimento de Xavier, ele teria sido multado em R$ 2,7 milhões. O procedimento teria sido arquivado depois de a Igreja Universal apresentar uma defesa em nome dele.

Em depoimentos que fazem parte do inquérito, Xavier e Alba disseram que não deram garantias ou pagaram os empréstimos. Xavier acusa os dirigentes da Igreja Universal de serem os verdadeiros donos da TV Record.

“O declarante diz que, a bem da verdade, sente-se lesado em sua moral e honra, porquanto todas as operações realizadas em seu nome foram fictícias, para esconder os verdadeiros donos da TV Record, que são os os dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus”, afirma o depoimento de Xavier que consta do inquérito no STF.

Testemunhas dizem que ex-deputado atuou no negócio

O ex-deputado Laprovita Vieira, segundo os depoimentos de Xavier e Alba, atuou ao lado do deputado federal Bispo Rodrigues (PL-RJ) na compra da emissora de TV. O depoimento de Xavier apresenta a compra da emissora como uma operação de guerra, que envolveu assessores, advogados e economistas que trabalharam até a madrugada para fechar o negócio.

Xavier contou, por exemplo, que uma divergência entre os advogados das partes provocou a vinda de São Paulo ao Rio de economistas da confiança do bispo Macedo, em jato particular, durante a madrugada. Também afirmou ter visto malas de dinheiro guardadas por seguranças armados.

“O declarante diz também ter visto grande quantidade de dinheiro acondicionada em malas e também farto armamento de grosso calibre, bem como inúmeros seguranças”, afirmou Xavier em seu depoimento.

Do inquérito, consta também o depoimento de Álvaro Stievano Jr. que, segundo o Ministério Público, integrava com Crivella a direção da Investholding. Stievano, que freqüentava a Universal, do bairro paulistano do Brás, conta que recebeu procurações para atuar nas duas off shores . Além da Investholding, ele foi procurador da Cableinvest. Ele disse que nunca teve curiosidade de saber quem eram o proprietários das empresas e que tinha poderes limitados.

Entenda o caso

A Polícia Federal começou a investigar, no início da década de 90, os compradores da TV Rio — que virou TV Record — todos de classe média baixa e que tinham conseguido empréstimo de US$ 20 milhões de duas empresas com sede em paraísos fiscais: a Investholding, nas ilhas Cayman, e a Cableinvest, nas ilhas Jersey.

O escândalo do uso de laranjas para a aquisição da TV Record do Rio veio à tona em 1996, quando O GLOBO publicou documentos comprovando que os seis compradores não dispunham de condições financeiras para adquirir a emissora. A compra irregular constava na declaração de renda de dois testas-de-ferro. José Antônio Alves Xavier e Claudemir Mendonça de Andrade informaram em suas declarações de renda de 1993, ano-base 92, ter adquirido um sexto do capital social da empresa, por meio de empréstimos contraídos junto a duas instituições financeiras internacionais. Os demais compradores eram Alba Maria Silva da Costa, José Fernando Passos da Costa, Marcio de Lima Araujo e João Monteiro de Castro dos Santos.

A data da compra já denunciava a primeira irregularidade. O Ministério das Comunicações autorizara a Rádio Difusão Ebenezer — nome jurídico da antiga TV Rio — a entrar no ar em 31 de maio de 1988. A legislação determinava um prazo de carência de cinco anos para que a emissora fosse vendida, ou seja, a partir de 1993. A transação, no entanto, foi realizada em fevereiro de 1992 e nem sequer foi registrada na Junta Comercial.

Além disso, as declarações de renda de Xavier e Mendonça revelavam que eles não tinham condições para se tornaram donos de uma emissora de televisão. Xavier, por exemplo, declarava ter um apartamento comprado pelo SFH e uma loja de automóveis. Claudemir, por sua vez, tinha uma casa no bairro de Santa Rosa, em Niterói, e metade de uma casa no loteamento na Região dos Lagos. Já Alba Maria declarou ter apenas uma linha telefônica e rendimentos anuais equivalente na época a cerca de US$ 2.650. Os demais compradores também eram de classe média baixa.

Descobriu-se, em 96, que o pastor e então deputado federal Laprovita Vieira fora o responsável pela primeira parcela da transação. A TV passou a ter seis donos. Um deles, o comerciante Xavier, disse na época que fora usado como laranja dos verdadeiros compradores. Segundo Xavier, no início de 1992, por telefone, Laprovita Vieira lhe fizera a proposta de tomar parte na compra. O comerciante acabou passando suas cotas para Bispo Rodrigues, hoje deputado federal pelo PL.

Em 1999, reportagem da “Folha de S. Paulo” afirmou que a compra da TV Record do Rio fora paga com dinheiro das empresas Investholding e Cableinvest. Segundo a reportagem, ambas eram acionistas de uma empresa chamada Unimetro Empreendimentos, que administrava imóveis da Igreja Universal e que tinha como sócio Marcelo Crivella.


Senador nega ser sócio de ‘offshores’

O senador Marcelo Crivella disse ontem que jamais teve conta no exterior, a não ser a que pagava seu salário quando trabalhava para a Igreja Universal do Reino de Deus na África, ao longo dos anos 90, num banco chamado Nedbank, da Suazilândia. Disse também que não tem sociedade em empresas no exterior ou no Brasil.

— O ministro Carlos Velloso me disse que não pode arquivar o processo porque eu nunca fui ouvido — disse ontem Crivella. — Acho que isto é uma coisa que vem à tona numa hora chata, pois pode ser usado contra a minha campanha.

O senador e candidato a prefeito do Rio afirmou que seu nome foi envolvido no caso quando estava na África:

— Fui envolvido nessa história sem saber por quê. Estava trabalhando na África, vivendo do meu salário apenas. Tenho medo de que o povo inteiro pense que existe uma motivação política por trás disso.

Ele acha que, por se tratar de um processo iniciado em 1992, que o pedido de quebra de sigilo fiscal não faz sentido, pois a lei determina que a Receita Federal guarde dados das empresas por um período de cinco anos.

O advogado Arthur Lavigne, que defende o senador e os demais bispos envolvidos na investigação, disse que Crivella foi denunciado com base num documento apócrifo, uma cópia xerox contendo a suposta assinatura do senador:

— O documento não pode ser periciado — disse ele ontem.

Segundo Lavigne, a investigação sobre a venda da Record em São Paulo foi arquivada, e o mesmo deverá acontecer sobre a venda da emissora no Rio de Janeiro.

— Como não existe nos autos o depoimento dele, o chamaram a depor — disse ele.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Ae Mané, tu te cuida véio ! Vem processo pesadão pra cima de ti. Fique ligado e já vai preparando uma boa defesa. Os caras não dão mole não. É briga feia.

3 de julho de 2004 09:16  
Anonymous Anônimo said...

baixe o vídeo aqui
http://falsospastores.vilabol.uol.com.br

26 de agosto de 2004 21:29  
Anonymous Anônimo said...

Bonjorno, crivellanao.blogspot.com!
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21 de novembro de 2009 23:58  

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